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Perguntas Frequentes

Como podemos definir a pegada hídrica?

A pegada hídrica ou pegada de água é um conceito criado em 2002 pelo Prof. Hoekstra na época no Inst. De estudos da Água da Unesco (hoje na Univ. de Twente nos Países Baixos), com apoio do Prof. Chapagain, visando estimar o consumo de água doce em produtos e serviços, considerando o uso direto no processo de produção e o indireto nas várias etapas da cadeia de suprimentos. O método permite que as empresas, comunidades, países e até indivíduos calculem o quanto de água consomem em determinadas atividades a partir dos dados de consumo de produtos e serviços. Isto pode ser útil na tomada de decisões e para embasar o esforço pelo uso inteligente de um recurso escasso, ameaçado pela poluição, desmatamento e aquecimento global. A partir do trabalho da Universidade. de Twente foi criada uma organização para divulgar e explora esta ferramenta

Registre-se que o conceito vem na esteira dos similares: pegada de carbono que apura quanto um item gera de gases de efeito estufa e pegada ambiental, que levanta quanto de área de solo se ocupa numa atividade ou um bem requer para ser fabricado (por exemplo m2 de solo por kg de milho). Ou seja, no fundo estas formas de abordar não são essencialmente novas mas constituem formas instigantes de se refletir sobre os consumos complementando indicadores de performance mais tradicionais como os consumos específicos utilizados há muitos anos no setor industrial (Ex: litros de água por TV, por geladeira, por carro etc.).

 www.waterfootprint.org é a melhor referência para quem quer se aprofundar no tema.
 



Qual é a diferença entre pegada hídrica e água virtual?

São praticamente idênticos com algumas nunaces. A água virtual se refere aos fluxos invisíveis de água embutidos nas mercadorias que circulam. O Brasil como exportador de commodities agropecuárias exporta água para outros países. O fato de determos as maiores reservas de água doce superficiais e subterrâneas do mundo (cerca de 12%) é estratégico para o agronegócio. É importante que produtos intensivos em água não sejam produzidos em áreas com baixa disponibilidade hídrica. Por exemplo, faz pouco sentido plantar arroz de várzea no Ceará um estado no polígono do semiárido, mas isto também passa por mudanças culturais. 



No cálculo de pegada hídrica, só entra água doce?

Sim. A pegada hídrica de um produto representa o volume de água doce usado ao longo de toda a cadeia produtiva



Por que é importante ficar de olho nesses cálculos?

Porque conforme exposto isto auxilia na tomda de decisões em políticas públicas, negócios e no plano individual. Por exemplo ser vegetariano significa consumir bem menos água. Ao se comparar alternativas de proteína animal temos 1kg de frango requerendo 3500 litros, 1kg de carne suína 5250 litros e 1kg de carne bovina 17500 litros. Isto fora a pegada ambiental com uma ocupação muito maior em área de pastagens do que nas pocilgas e estas em relação as granjas, já que o espaço por kg de animal é sucessivamente menor.

Entretanto há grandes limitações na precisão destes cálculos e os bancos de dados inexistem ou são precários. Assim os números servem mais como orientadores, devendo ser incluídos



O conceito já ganhou força aqui no Brasil?

Os Prof’s Hoekstra e Chapagain, líderes nos estudos originais vieram ao Brasil para disseminar o conceito. Contudo há que se pesar se o esforço necessário para se levantar dados para a nossa realidade é compensado efetivamente. Ou seja, simplesmente levantar e divulgar números pode ser pouco se não tiverem aplicação nos mecanismos decisórios. Os tradicionais KPIs para água, energia e matérias-primas ainda são um instrumento poderoso e há dificuldade razoável em se estimar consumos na cadeia de suprimentos. Por outro lado todo esforço para se racionalizar o consumo, promover o reúso de água, eliminar desperdício é fundamental.

Uma boa fonte de referência em português é a compilação de pegadas de água na Cartilha de Uso Racional da Água, editada pela Fecomercio (SP) em parceira com a Sabesp e disponível em ambos os sítios na Internet.



O Brasil é um consumidor ‘perigoso’?

O país não é especialmente impactante, apesar de que a abundãncia de água em boa parte do território tende a induzir uma atitude mais descompromissada em relação ao uso racional da água. Além disso, embora as tarifas de telefonia (em especial de celular) e de energia elétrica vigentes estejam entre as mais altas do mundo, onerando os orçamentos de empresas e famílias, o valor unitário pago pela água é relativamente baixo. Há inúmeros municípios que sequer o cobram, mas o embutem no IPTU. Destaque-se que em boa parte do país a água não é micromedida (hidrômetros individuais por imóvel) não se premiando quem economiza. Enfim há muito há se fazer em coisas mais simples em termos de medição e com efeitos mais palpáveis na mudança de atitude, que a pegada de água. A pegada hídrica de um consumidor brasileiro, segundo cálculos, é de 3.780 litros por dia, considerando o que se consome em casa (5%) e em produtos industriais e agrícolas (95%). No Reino Unido, esse valor é de 4.650 litros diários.

O Brasil está pouco acima da média mundial – são 1.381 metros cúbicos per capita por ano, contra 1.243 metros cúbicos per capita ao ano no mundo. Para se ter uma ideia, a da China é de 700 e a dos Estados Unidos, de 2,5 mil. Cabe lembrar que a cultura influencia muito e por exemplo, o povo brasileiro incorporou o hábito indígena do banho diário. Na RMSP as campanhas da Sabesp e da mídia, com ações de redução de vazamentos vem reduzindo anualmente o consumo individual, o que permite postergar investimentos pesados para trazer água de cada vez mais longe a um custo operacional maior (mais energia para bombeamento).



Quanto a gente consome realmente e quanto disso é invisível?

Isto depende dos hábitos de cada um e sobretudo do seu nível de vida e consumo. Portanto, é essencial se pautar pelo consumo responsável.
 



O que são as pegadas verde, azul e cinza, citadas pela Water Footprint?

A pegada hídrica verde é a associada a água de chuva, a verde a água superficial e subterrânea e a cinza a água poluída, incluindo a água necessária para diluir a poluição gerada durante o processo produtivo. Isto aliás gera certa confusão pois o termo águas cinzas está associado às águas servidas de banho, máquinas de lavar louça e roupas, tanques que não tem contaminação por fezes e por isto podem ser reusadas diretamente na lavagem de pisos ou após um tratamento mais simples, por exemplo na descarga de vasos e mictórios.
 



A pegada hídrica de uma região mais seca é diferente da pegada de uma região que tenha água em abundância?

Á pegada de água se refere a um bem ou serviço e não a uma região. O impacto numa região árida é maior.
 



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