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Presidente Jerson Kelman participa do evento “2018: Brasil do Amanhã”

 17/04/2018 às 12:00

Com oito encontros previstos ao longo de 2018, com diferentes temas, no dia 9 de abril o Museu do Amanhã trouxe o assunto 'água e saneamento' para a mesa de discussão, dentro da plataforma “2018: Brasil do Amanhã”. O painel, aberto por Luiz Alberto Oliveira, curador do museu, e Samuel Barreto, gerente Nacional de Água e Saneamento do The Nature Conservancy (TNC), teve como debatedores Jerson Kelman, presidente da Sabesp, também professor da Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da UFRJ); Oscar Cordeiro Netto, professor da UnB e diretor da Agência Nacional de Águas (ANA); Hamilton Amadeo, CEO da Aegea Saneamento e Participações S/A; e Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil. A mediação ficou a cargo de André Trigueiro, da GloboNews.

"Da mesma maneira que a gente não aceita mais no nosso país mão de obra escrava, mão de obra infantil, violência contra a mulher, a proteção dos recursos naturais, a proteção às águas, o direito ao acesso à água e ao saneamento também devem ser valores pelos quais a sociedade deve brigar", disse Samuel Barrêto, em um dos trechos de seu discurso, ao abrir o evento.

Intencionalmente organizada em um ano das eleições majoritárias, a plataforma  “2018: Brasil do Amanhã” se propõe a desenvolver temas de interesse nacional de maneira científica, a partir de dados concretos, evidências ou constatações acadêmicas, com o objetivo de aprimorar o nível de informação, engajamento social e mobilização no período que antecede o processo de representação democrática pelo voto.

 

“Uma boa sinalização da prioridade e da importância que se dá ao tema é nomear alguém que entenda do ‘riscado’. Não precisa ser um hidrólogo, mas alguém que esteja, com o perdão do trocadilho, ‘infiltrado nesse meio’. E o Brasil teve o privilégio de, ao conceber a ANA, que é filhote da Política Nacional de Recursos Hídricos, nomear alguém que entende do ‘riscado’ e que é o nosso próximo convidado a falar, o atual presidente da Sabesp”. Foi com essa introdução que André Trigueiro chamou para o debate o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

Antes de falar sobre perdas de água, tema para o qual foi especialmente designado, Kelman destacou os esforços da Sabesp para despoluir o Rio Tietê, a visão estratégica que a companhia desenvolveu ao longo dos anos, com técnicos competentes e boa estrutura de governança, e o desafio de levar saneamento a todas as pessoas.

“Pegue a quantidade de água disponível em São Paulo e divida pela população. Dá 140 m³ por habitante/ano. Isso é a disponibilidade hídrica, (...) muito menor do que a disponibilidade hídrica per capita do semiárido. (...) Não é possível imaginar que metrópoles assim adensadas possam existir, sobreviver com recursos hídricos dos locais, a não ser que (...) estejam perto de grandes rios”, disse ele, explicando que perdas de água é uma questão de natureza econômica.

A mediação do evento ficou por conta do jornalista André Trigueiro, da Globo News, à esquerda da imagem.

“Tem cidades que estão na beira de um rio, um manancial grande (...). Chicago está na beira de um grande manancial, dos lagos, e lá eles fazem a conta e dizem: 'o custo de captar água e tratar pode ser menor que o custo de reparar as tubulações, então a perda é grande.. Tem muitas cidades no mundo que a perda é grande, por uma avaliação econômica. É o caso de São Paulo? Definitivamente não, porque lá (...)  a disponibilidade hídrica é pequena e você traz a água de muito longe e não faz sentido perder água. Então, como é que se mede? Como é que se compara? O SNIS, que é o sistema de informação, como é que funciona? Funciona com declarações. Não confiem muito no SNIS, porque ele é declaratório. Se um presidente de uma empresa não gostar de um número que ele tem, ele vai pedir pra mudar o número. Não é o que a gente faz na Sabesp, mas tem empresa que faz isso. (...) Eu até já propus uma auditoria. (...) Não dá pra comparar muito o SNIS, porque, (...) a maneira de medir, comparar, como se faz hoje, com percentual, é equivocada. Vamos imaginar aqui duas cidades. Na cidade um, a população consume 400 unidades de água e perde, na produção, no vazamento, 100, então produz 500, 100 para perder e 400 pra distribuir. Então a perda de água aí é 100 sobre 500: 20%. Agora pegue uma outra cidade que o consumo das pessoas é maior, iguaizinhas, a cidade é igual. Ela perde os mesmos 100, só que o consumo da população é 900. Então, qual é a perda percentual? É 100 sobre mil, 10%. Então, não é esse o índice bom, comparar eficiência. Locais como Los Angeles, onde se consome muita água, percentualmente a perda é pequena. É uma métrica errada. A métrica certa é comparar perdas com perdas. Como é que se faz para diminuir perdas? A Sabesp, para não aumentar as perdas, (...) tem que gastar R$ 350 milhões por ano. Diminuir perdas é como você tentar descer uma escada rolante que está vindo pra cima. Se você ficar parado, você vai 'aumentar', vai subir, Se você quiser acelerar, você tem que gastar mais. No caso, a Sabesp, mais de R$ 350 milhões por ano. Nós vamos gastar cerca de R$ 1 bilhão em perdas. Se nos derem mais dinheiro, nós podemos fazer mais? Não, porque onde é que estão as perdas, no nosso caso? Principalmente, dentro dos centros das cidades, centro de São Paulo. O centro de São Paulo tem, a maior das tubulações, mais de 50 anos (...). E como você pode fazer essa intervenção sem absolutamente tornar a cidade um caos? (...) Tem um ritmo em que as coisas podem ser feitas, (...) um limite físico”, esclareceu.

Rafael Veras, diretor de Comunicação e Pesquisa do museu, fez questão de enviar e-mail agradecendo participação de Kelman "pela valiosa contribuição para o sucesso do nosso painel temático sobre água e saneamento".

Os eventos têm sido realizados no auditório do Museu do Amanhã e até outubro serão abordados alimentação, agricultura pecuária; ciência, empreendedorismo e inovação; respeito e representatividade da diversidade; energia; floresta; cidades e mobilidade urbana; educação; gestão pública; cultura. O primeiro foi sobre "Segurança Pública", dia 19/2, com curadoria do Instituto Igarapé. Trata-se de um movimento nacional pela qualidade do debate e pela defesa, promoção e desenvolvimento de agendas propositivas para o país, apresentado no final de 2017 pelo Museu do Amanhã, que conta com o apoio da Fundação Roberto Marinho, do Instituto Clima e Sociedade (ICS), do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), da GloboNews e da sua rede estendida de parceiros.

marcador Acesse para assistir ao debate na íntegra

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