Enchentes

O fenômeno das enchentes, principalmente nos meses de verão, coloca em cheque a questão do abastecimento de água.

Será que faltam obras ou investimentos para melhorar o fornecimento? Este é o grande questionamento da sociedade na iminência de um racionamento de água. Porém, se chove tanto, a ponto de causar inundações, por que os níveis dos reservatórios continuam baixos?

É um equívoco afirmar que as chuvas caem nos lugares errados, ou seja, nas áreas urbanas e não sobre os mananciais. Os metereologistas atribuem esse fenômeno às chamadas "ilhas de calor".

O que são as ilhas de calor?

As “ilhas de calor” são uma anomalia do clima que ocorrem quando a temperatura em determinadas regiões dos centros urbanos fica muito maior do que a temperatura nas regiões periféricas. Isso se dá por conta da alta densidade demográfica, pavimentação e diminuição da área verde, construção de prédios barrando a passagem do vento, grande quantidade de veículos e outros fatores que contribuem para o aumento da retenção de calor na superfície.

Em São Paulo, por exemplo, já chegou a ser registrada uma diferença de 10º Celsius entre uma temperatura medida no centro e na periferia da cidade, enquanto que a média mundial é de 9ºC.

Durante as estações quentes do ano, as partículas de ar que ficam sobre as metrópoles deslocam-se com maior rapidez para as camadas mais altas e carregam a umidade da brisa. Ao entrar em contato com temperaturas mais frias, há condensação das partículas e fortes chuvas.

Em um local menos urbanizado, com mais áreas verdes e menos prédios, a radiação solar seria absorvida normalmente pela vegetação e pelo solo, e dissipada através dos ventos. A vegetação devolveria essa radiação através da evapotranspiração enquanto que a ausência de poluentes permitiria que parte da radiação refletisse na superfície e fosse enviada para as camadas mais altas da atmosfera, diminuindo a quantidade de calor.

O problema é que a substituição da vegetação pelo asfalto e concreto faz com que a radiação solar seja absorvida por estes materiais e convertida em ondas de calor que ficarão armazenadas, em grande parte durante o dia, escapando à noite (o asfalto pode chegar a 46ºC em um dia de verão enquanto que a grama não ultrapassa os 32ºC). A construção de prédios cria uma barreira para os ventos não deixando que o calor seja dissipado.

A presença de material particulado no ar, proveniente das chaminés de indústrias e escapamentos dos carros cria uma camada que barra a reflexão natural da maior parte dos raios solares. 

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Agência de Notícias

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